sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Violência cai pelo 9º mês consecutivo

Violência cai pelo 9º mês consecutivo
Publicado em 03.09.2009

De dezembro de 2008 a agosto de 2009, índices vêm registrando queda. No acumulado do ano, redução chegou a 9,9%

Eduardo Machado

eduardomaxado@gmail.com

Pela primeira vez desde que o número de homicídios em Pernambuco passou a ser acompanhado mês a mês, no ano de 2003, o Estado registrou nove meses seguidos de redução no número de assassinatos (período entre dezembro de 2008 e agosto de 2009). De janeiro a agosto de 2009, a queda acumulada na taxa de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) chegou a 9,9%, em comparação com os oito primeiros meses de 2008.

De acordo com o secretário de Defesa Social, Servilho Paiva, o enfrentamento da violência não se resume ao trabalho da polícia, mas 70% da redução obtida estariam diretamente ligados ao novo modelo de gestão implantado no fim do ano passado. “Não temos mais espaço para achismo. Agora, planejamos, executamos e acompanhamos nossas estratégias focalizando uma meta, para cada área do Estado”, explicou Servilho.

A tendência é que a redução no fim do ano supere os dois dígitos. Bem acima dos 2% atingidos em 2007 e 2008. “Isso só vai ser possível em 2009, porque toda uma série de projetos, ações, mudanças e parcerias vem sendo desenvolvida há mais de dois anos. Somente após uma base sólida construída foi possível colocar esse modelo de gestão em prática”, atestou o secretário.

O monitoramento de desempenho da área de segurança em Pernambuco funciona da seguinte forma: o Estado foi dividido em 217 circunscrições. Na capital, uma circunscrição corresponde a um agrupamento de bairros. No interior, elas podem corresponder até a um município inteiro. Cada uma das circunscrições tem um delegado e um oficial da PM como gestores. Esses policiais precisam prestar conta semanalmente sobre os índices de crimes violentos letais intencionais (CVLIs) em suas jurisdições.

Acima dos gestores de circunscrições estão os gestores de 26 áreas, que, por sua vez, respondem a gerentes de cinco territórios, subordinados diretamente ao chefe de Polícia Civil e ao comandante da Polícia Militar. Os dois comandantes se reportam ao secretário de Defesa Social, que responde ao governador.

Uma vez por mês, o governador Eduardo Campos comanda uma reunião onde os dados de CVLI de todo o Estado são monitorados. As áreas que atingem as metas ganham a cor verde. As que registram aumento da violência ficam vermelhas.

“Essa reunião mensal com o governador pode e deve ser reproduzida, em escala menor, semanalmente pelos gestores de circunscrições lá na ponta. Há toda uma cadeia de comando que permite um monitoramento e uma pronta intervenção nos locais onde os resultados não estejam satisfatórios”, complementou Servilho Paiva.

Outro diferencial do novo modelo de gestão é que um programa de computador permite que o secretário tenha informações atualizadas semanalmente sobre cada área. As telas mostram a foto dos gestores, o mapa de sua jurisdição, o número de CVLI no período anterior, a meta pretendida e o número obtido.

“Os gestores não recebem área de responsabilidade e fazem o que acham melhor. Temos uma série de operações que precisam ser desenvolvidas semanalmente. Por exemplo, uma quantidade determinada de mandados de prisão a serem cumpridos ou de inquéritos remetidos à Justiça com autoria concluídos. A prática tem mostrado que aqueles que realizam suas ações dentro do planejado, ficam dentro da meta”, concluiu Servilho.

Arma do governo são as atividades de inclusão social
Publicado em 03.09.2009

Leonardo, Weidson e Altair têm várias coisas em comum. São moradores de Santo Amaro, área central do Recife, estudam na Escola Estadual Aníbal Fernandes, fazem um curso profissionalizante e já tiveram parentes próximos assassinados. Leonardo e Weidson perderam o irmão. Altair, o primo. Hoje eles tentam se desviar da estatística esticando o tempo na escola com a prática de esportes e a participação em um curso profissionalizante.

O aumento das opções de atividades para os jovens é uma das armas do governo do Estado na tentativa de impulsionar a redução nos homicídios. Em Santo Amaro, tradicionalmente um bairro violento da capital pernambucana, a estratégia fez com que a diminuição na taxa de assassinatos chegasse a 47,8%, comparando de janeiro a agosto de 2009 com o mesmo período de 2008. No Ibura, outro bairro incluído no projeto Governo Presente, a queda atingiu 24,3%.

“No ano passado, tivemos três alunos assassinados. Em 2009, não ocorreu nenhum episódio grave de violência contra nossos estudantes. Sentimos que é o começo de uma nova fase”, afirmou o diretor da Escola Estadual Aníbal Fernandes, Gilvan Tavares.

A escola tem 1.300 alunos, da 5ª série ao ensino médio. Durante a semana, a prática de esportes é incentivada, nos horários em que os estudantes estejam fora de aula. Os jovens também passaram a ter acesso a cursos profissionalizantes recebendo bolsa mensal de R$ 100.

“O meu irmão tinha 21 anos quando foi morto. Atiraram nele dentro de casa. A gente quer ficar longe dessas coisas. A escola é um lugar bom pra isso”, afirmou Leonardo dos Santos, 17.

“Quero fazer a oficina de grafitagem e de rádio”, completou Weidson José do Carmo, 17. Altair se empolgou com o valor da bolsa. “Esse dinheiro dá para a gente ajudar um pouco em casa, enquanto está aprendendo.”

No comparativo entre 2008 e 2009 (janeiro a agosto), foram assassinados 30 jovens a menos em Santo Amaro este ano do que no ano passado. Por enquanto, Weidson, Leonardo e Altair podem continuar sonhando.

Extraído do JORNAL DO COMMERCIO

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